Pesquisas
Pesquisas
em andamento:
Microempreendedorismo e associativismo em países de desenvolvimento periférico
Prof. Luiz Inácio Gaiger e Marília Veríssimo Veronese
O
projeto em questão se caracteriza por estudar formatos coletivos de organizações
econômicas de pequeno porte. Estas últimas evidenciam sua importância
ao articularem sistemas alternativos de produção, tendo apresentado
significativo crescimento no Brasil, a partir da década de 90. Tal contexto
tem despertado interesse acadêmico no sentido de perceber qual tipo de empreendedorismo
vem sendo praticado por esses trabalhadores associados, quais peculiaridades destas
empresas são decorrentes do formato associativo e em que medida a associação
potencializa o empreendedorismo.
Para a discussão destas questões,
o projeto estabeleceu um sistema de cooperação entre três
países de desenvolvimento periférico - Portugal, Moçambique
e Brasil. Acredita-se que a diversidade das experiências, analisadas em
perspectiva comparada, tem potencial para fornecer importantes achados que poderão
vir a contribuir para subsidiar políticas sociais que promovam o protagonismo
econômico destes empreendedores.
Em busca das epistemologias do
Sul: saberes sobre a vida coletiva entregrupos subalternos
Prof.
Marília Veríssimo Veronese
O projeto baseia-se no
arcabouço teórico metodológico da sociologiacrítica
de Boaventura de Sousa Santos (2006; 2009), especialmente asociologia das ausências
e emergências e o procedimento de tradução, opensamento abissal
e pós-abissal e a perspectiva das epistemologias doSul. A preocupação
principal é epistemológica, isto é, o objeto é osaber
produzido em contextos de vida coletiva entre sujeitos muitopobres que têm
na associação uma alternativa para melhorar suascondições
de vida. Buscamos os saberes sobre o estar vivendo e/ouempreendendo coletivamente;
não entendendo o saber numa dimensãoexclusivamente cognitiva, mas
também incluindo os saberes do corpo, dosafetos e da prática vivida
e relacional. Partimos da hipótese que asdesigualdades cognitivo expressivas
que permeiam a produção, circulaçãoe difusão
dos saberes desses grupos os tornam invisíveis e/oudesacreditados. Essa
hipótese surge da idéia que as sociedades modernaspossuem uma característica
de serem abissalmente dividas entre os quetêm e os que não têm
acesso a bens simbólicos e materiais e portantoentre quem é plenamente
cidadão e quem não é, ou é de uma categoriainferior,
subalterna e portanto desqualificada. Nos propomos atestar a hipótese:
há elementos de uma epistemologia do Sul entre essesgrupos subalternizados?
Caso positivo, quais são eles e como poderiamser compreendidos e sistematizados,
almejando a troca intercultural?Buscaremos identificar nos dados do II Mapeamento
Nacional da EconomiaSolidária grupo(s) de trabalhadores pobres que convivem
em coletividade,para um estudo em profundidade cujos dados serão coletados
através dométodo da Sócio Poética (Gauthier, 2001).
Espera-se a efetivação datradução intercultural entre
os saberes dos grupos e o saber acadêmico ea publicação e
difusão devida dos resultados obtidos nos meios acadêmicoe do movimento
da economia solidária.
A
economia solidária e as desigualdades: um estudo a partir dos dados do
Primeiro
Mapeamento Nacional dos empreendimentos solidários
Prof.
Luiz Inácio Gaiger
O Projeto tem como base empírica principal os dados do Sistema Nacional
de Informações em Economia Solidária - SIES, ainda inédita
para a comunidade científica. Objetiva, em primeiro lugar, sua análise
quantitativa, segundo um conjunto de primas de análise estatística,
explorando as informações disponíveis sobre 14.954 empreendimentos,
repartidos entre todas as Unidades da Federação e entre diversos
setores econômicos, a fim de: a) caracterizar sociologicamente as diferentes
manifestações da economia solidária no país; b) mediante
análise de indicadores pertinentes, avaliar os efeitos dessas iniciativas
sobre os processos de reprodução das desigualdades; c) aferir a
incidência, sobre esses resultados, das tecnologias sociais utilizadas por
agentes externos de assessoria, organizações sociais e organismos
governamentais. Em segundo lugar, o aprofundamento dessas linhas investigativas
justifica a realização de pesquisas qualitativas complementares,
através da coleta de dados primários junto a subconjuntos de empreendimentos,
localizados nas áreas de abrangência das instituições
que colaboram com o projeto, nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná,
Mato Grosso e Bahia. Além da produção científica,
a metodologia
prevista tenciona divulgar e discutir os resultados da pesquisa
com as representações regionais e nacionais dos empreendimentos
de economia solidária, com as organizações e redes de apoio
e com os setores governamentais, através de publicações,
eventos e outros mecanismos de difusão. O Projeto foi idealizado pelo Grupo
de Pesquisa em Economia Solidária (www.ecosol.org.br), da UNISINOS, em
colaboração com a Universidade Regional do Noroeste do Estado do
Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), a Universidade Estadual de Maringá,
a Universidade do Estado do Mato Grosso e a Universidade Federal da Bahia.
Sujeitos,
Saberes e Práticas de Formação em Economia Solidária
no Rio Grande do Sul.
Prof.
Adriane Vieira Ferrarini
A pesquisa tem por objeto a produção de conhecimento sobre os agentes e as práticas de formação em economia solidária no RS. A relevância do tema se expressa pela multiplicação das experiências formativas, pela insuficiência de produção teórica e pela mobilização de trabalhadores e de formadores, a qual pautou a formação na agenda social em âmbito nacional, suscitando a implementação de política pública do governo federal nessa área. Cabe destacar que, na região Sul, essa política está sendo implantada pelo PPG de Ciências Sociais da Unisinos sob responsabilidade direta da pesquisadora, o que permitirá a conjugação de esforços entre a pesquisa e a ação institucional (visto terem objetos compatíveis), a otimização de recursos disponibilizados pelo convênio e o contato direto com os sujeitos da pesquisa. Esta pesquisa tem o objetivo de mapear agentes e analisar os fundamentos da formação no RS, com ênfase na busca e experimentação de métodos de sistematização de saberes populares produzidos por trabalhadores e formadores, demanda emergente nesse campo temático. Para tanto, além de instrumentos tradicionais (questionários e entrevistas individuais), será utilizada a sociopoética, metodologia autogestionária e democrática de produção de conhecimento científico.
Pesquisas finalizadas
Análise
do perfil e do potencial dos Empreendimentos Econômicos Solidários
no Rio Grande do Sul para gerar empregos e diminuir os níveis de pobreza
Projeto
de duração de um ano que tem como objeto a realidade dos empreendimentos
econômicos solidários no estado do Rio Grande do Sul (RS) / Brasil
projetada no resultado do mapeamento da economia solidária que está
sendo executado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária e cuja conclusão
está prevista para outubro de 2005. A partir dos dados quantitativos deste
mapeamento e com base nos resultados e hipóteses de pesquisas anteriores
do Grupo de Pesquisa Economia Solidária, buscar-se-á aprofundar
o diagnóstico da Economia Solidária no RS com o objetivo principal
de levantar o potencial dos empreendimentos econômicos solidários
(EES) para o desencadeamento de um processo de contenção da produção
continuada de desigualdades sociais e, com isso, para a diminuição
dos níveis de pobreza na população e para o resgate dos direitos
humanos, sobretudo na condição de direitos sociais, culturais e
econômicos. Tal diagnóstico poderá servir de subsídio
para ações governamentais e não-governamentais no combate
à pobreza via políticas públicas de subsídio à
Economia Solidária.
A
constituição do sujeito em processos autogestionários de
trabalho
A pesquisa propõe-se a investigar os processos
de subjetivação em empreendimentos autogestionários de trabalho;
o sujeito constitui-se através dos processos socializadores nos quais se
insere ativamente. O trabalho cooperativo e associativo constitui uma importante
ponte entre o campo do econômico e a demanda social, atualmente. Na cooperativa,
a prática da autogestão é um dos desafios principais dos
que trabalham; essa pesquisa vem a ser um esforço de compreensão
em profundidade dos processos autogestionários de trabalho, sob um enfoque
psicossocial, visando compreender suas possibilidades e dificuldades. A investigação
insere-se na Linha de Pesquisa Trabalho, Cooperação e Solidariedade,
no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas,
da UNISINOS. Metodologicamente, prevê a realização de um processo
hermenêutico crítico, trabalhando com a interpretação
do discurso e da prática autogestionária. Serão enfocados
dez (10) empreendimentos associativos e autogestionários de diferentes
segmentos de atuação, de modo a acessar profundidade e diversidade
de informações. O enfoque é qualitativo, porque focaliza
um conjunto restrito, porém significativo de experiências. O referencial
teórico-metodológico é a Hermenêutica de Profundidade
de J. B. Thompson, que se divide em três partes, complementares entre si
- análise sócio-histórica, análise formal e re-interpretação
-, a serem articuladas com a Sociologia das Ausências e das Emergências
e a Hermenêutica Diatópica, ambas proposições de Boaventura
Sousa Santos. Dos resultados espera-se a produção científica
qualificada, bem como o subsidio ao trabalho autogestionário.
Representações
sociais da liderança em empreendimentos econômicos solidários.
A pesquisa propõe-se a investigar as representações
sociais da liderança entre empreendimentos econômicos solidários
(EES). O mote analítico são os campos representacionais dos trabalhadores
associados, no que se refere à liderança como participação
de cada um na ação coletiva. Parte-se do princípio que as
representações sociais, sendo formas de conhecimento prático,
são matrizes geradoras de ações e comportamentos. A associação
autogestionária dos trabalhadores é hoje uma importante ponte entre
o campo do econômico e a demanda social, diante das desigualdades que impedem
o acesso ao trabalho como modo de inclusão social com dignidade. A liderança
é uma questão chave para o êxito dos processos autogestionários,
havendo uma significativa ausência de produção teórica
específica sobre o tema, já que a autogestão tem princípios
diversos da heterogestão. A investigação insere-se na Linha
de Pesquisa Trabalho, Cooperação e Solidariedade, no Programa de
Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNISINOS.
Metodologicamente, prevê a realização de uma análise
dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre a Economia Solidária
(SIES), a qual permitirá aferir o grau de autogestão dos EES pesquisados,
tirar hipóteses sobre a forma de liderança exercida e então
verificar, qualitativamente, em amostras menores, como se configuram as representações
sociais da liderança entre os trabalhadores, através de entrevistas,
observações e grupos focais, buscando os núcleos semânticos
da compreensão prática dos trabalhadores sobre a questão
da liderança. Dos resultados espera-se a produção científica
qualificada, bem como o subsidio ao trabalho autogestionário.
Teoria
e Práxis da Economia Solidária
Pesquisa realizada
entre 2004 e 2006, de natureza eminentemente bibliográfica, comportando
o estudo sistemático de autores e vertentes de pensamento das disciplinas
de Sociologia, Antropologia, Economia, História e Filosofia. Seu objetivo
é o delineamento de proposições teóricas, no sentido
de investigar e a compreender as condições de gênese da economia
solidária, de seu desenvolvimento e das suas possibilidades históricas.
O estudo bibliográfico tomará em consideração as aquisições
e os aspectos controversos da produção científica sobre o
tema, bem como seus vínculos estreitos com as elaborações
intelectuais emanadas da práxis da economia solidária. Ao mesmo
tempo em que busca construir fundamentos, em níveis de macro e micro-análise,
visará ao aprofundamento interpretativo dos resultados das pesquisas empíricas
anteriores, lideradas ou realizadas pelo Grupo de Pesquisa em Economia Solidária.
Características
e Tendências da Economia Solidária no Brasil
Realizada
entre 1999 e 2003, em duas etapas, trata-se de um estudo de âmbito nacional,
de iniciativa da Rede Interuniversitária de Estudos e Pesquisas UNITRABALHO.
Tem por objeto as organizações coletivas de trabalhadores, dedicadas
à geração de trabalho e renda, cujas características
permitem identificá-las como agentes propulsores de um novo solidarismo
econômico popular. O estudo objetivou identificar os empreendimentos econômicos
solidários no país, cernir suas principais características
e seus padrões de conformação e tornar-se uma pesquisa de
referência, a estimular outros estudos e ações necessárias
ao conhecimento e ao desenvolvimento deste campo. A publicação de
seus resultados encontra-se em fase de conclusão.
Autogestão,
Eficiência e Viabilidade dos Empreendimentos Econômicos Solidários
Foi efetuada entre 2001
e 2003. Executando nova coleta de dados junto a 32 experiências de geração
de renda, estudadas na pesquisa anterior, retoma os resultados da mesma com o
intuito de revalidar e retificar suas conclusões acerca da viabilidade
daquelas iniciativas econômicas. Tem-se como hipótese que os fatores
de viabilidade manifestam-se principalmente nas modalidades de resposta ao desafio
de conjugar as características de autogestão, com as exigências
de eficiência produtiva, no que viria a configurar-se uma racionalidade
específica dos empreendimentos econômicos solidários. A publicação
de seus resultados encontra-se em fase de conclusão.
Experiências
de Geração de Renda: no rumo de uma Economia Popular Solidária?
Foi executada, em duas fases entre 1997 e 2000 e teve por objetivo avaliar
a viabilidade e as perspectivas da economia solidária no RS através
de visitas e entrevistas junto a 47 empreendimentos alternativos no Estado do
Rio Grande do Sul. Seus resultados foram publicados nos Cadernos do CEDOPE, ano
10, n.º 15, 1999.
